16 de novembro de 2012

prendo no anzol

(foto: carlos silva)

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 prendo no anzol
da túa boca anfibia
veiga alagada

elvira riveiro

13 de novembro de 2012

encolhida

(foto: carlos silva)

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"Encolhida. Tão encolhida. Até o horizonte sumir.
Dói a supressão do ar e da luz, dói a míngua de ser. Dói a
abertura ténue que não protege.
O entorno forte e vagamente sólido serve apenas para
exacerbar a luz fria. Um olhar falso, uma miragem. Um assalto de fora à íntima recolha de ser: por dentro das pedras, do saibro, das sombras, do interno e sôfrego ninho.
Encolhida na humana paisagem, engano na lente do fotógrafo. "

Almerinda Alves

29 de outubro de 2012

aquela papoula

foto: carlos silva

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aquela papoula

olhaste-me dessa acendalha negra que percorre o mundo,
pálpebra rubra e univalve, abre e fecha ao timbre da aurora.
aquém de nós existe um rio quente de sangue,
e um intercílio abraça os céus, além!
sei que as lágrimas estão ocultas no solo
a alimentar as fontes de prazeres.
nós, fechados em concha,
bebemos um no outro a cor viva do amor,
sem a sofreguidão do tempo.

Luísa Azevedo



3 de outubro de 2012

no salón, as contras agochan

(foto: carlos silva)

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No salón, as contras agochan
o sol de setembro
tépedo aínda.

Todo son vultos semeados
de forma confusa e aleatoria

sombras

que me constatan vehementes

o fugaz e inconstante
da miña vida, hoxe.

Non soporto esta marcha forzosa; o pánico
propio do síndrome de Estocolmo
das paredes arredor. Este lugar, a miña historia.

Cada obxecto, cada prenda gardada
son peticións de clemencia
á Tristura.

Abandonar sen data de regreso
salto de fé cega
un novo abismo


Non vaciarei as caixas todas.

Non tomarei posesión do espazo,
felina, non.
 
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A bolsa co imprescindible a carón da porta

coa urxencia da parturenta.


INCONFÓRMOME! Non transixo!

Repetir mentalmente a pequena realidade do meu fracaso
mil veces, mil millóns de veces
e, á fin,
sabelo certo.

*

maria neves soutelo


24 de setembro de 2012

felequeras

(foto: carlos silva)

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FELEQUERAS

Deixa de plever e salgo con a filla suya a fer una gambada.
Zarramos a barana.
Filorchas de boira baixa s'agarrapizan en o cobalto d'os pueyos.
Sobre o gudron banyato s'apilluecan as fuellas d'as castanyeras que a tronada ha rancato.
Veigo uns maticals verdiscos e le'n sinyalo:
–Felequeras, ixo se dicen felequeras.
Ella fica una castanya en a pocha d'o gambeto e repite:
–Felequeras.

Continamos petenando
–un can escanyuta–
dica que a carretera plega en una carretera una miqueta més gran.
B'ha una parada d'autobús e me pregunto si no seria millor agafar o primero que pase.
Fuyir.

*
chusé raúl usón

*

FETOS

A chuva para e saio com minha filha para uma caminhada.
Fechamos a cancela.
Farrapos de névoa agarram-se ao cume das colinas.
No asfalto molhado amontoam-se as folhas dos castanheiros que a tempestade arrancou.
Vejo uns arbustos esverdeados e mostro-lhos:
-Fetos, se chamam fetos.
Ela mete uma castanha no bolso do casaco e repete:
-Fetos.

Continuamos andando
-um cão ladra-
até que a estrada chega a uma estrada ligeiramente maior.
Há uma paragem de autocarro e me pergunto se não seria melhor apanhar o primeiro que passe.
Fugir.

***
[trad: cas]