17 de fevereiro de 2012

talvez os polegares não desviem as águas

(foto: carlos silva)

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talvez os polegares não desviem as águas
dobradas pelas raízes
em conversas a fio

pensava nela a regressar das raízes pelas mãos
de como se lembra de toda a água que já foi
e se ouve ainda o fechar da maré
em cada rotação dos seus olhos

ouvia repetidamente
divide a luz se te atreves
e talvez aí a sombra

cada célula
grávida de um segredo:

não espero da água
o que espero de mim
que no código de vez em quando
tenha sobrado um verso:

pode levar-se uma pergunta ao infinito
ou dar-lhe um beijo



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